sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eu sei costurar...

- Mae, eu aprendi a costurar!
- Que bom, filha. Eu nao sei costurar.
- Como? eu tenho sete anos e sei e voce que é mãe não sabe ?
-  Oras, eu sou uma mãe moderna.... (que vergonha..)

terça-feira, 15 de novembro de 2011


Como minha mãe

VocÊ fica horas preparando aquele prato gostoso para o almoço no meio do feriado (pensando em um restaurante delicioso...) e quando coloca a comida no prato escuta:
 

- Ah, nao. Isso eu não vou comer nem morta! Tem uma coisa vermelha aqui (cara de nojo).
- Isso e' tomate, pra temperar, dar um gostinho, minha filha.
- Mas eu não gosto de tomate, mamãe.
- Como assim? voce gostava de tomate na semana passada!?
- Agora não gosto mais. Tira isso, por favor.

E, então, voce conta ate 10 mentalmente. Respira fundo e tenta conversar, convencer sua filha, que esta no auge da era do NAO.  Sem sucesso. Pego o garfo e travo uma verdadeira luta com aqueles pedacinhos despedaçados de tomate no prato.

Fico pensando, tentando lembrar se eu fazia isso com minha mãe. Sim, eu fazia. Hoje percebo o quanto a infernizei com chatices como essa. So' depois de se tornar mãe pra dar o verdadeiro valor a todas elas, modernas ou antigas.

Desculpa, mãe. Obrigada, mãe. Um dia minha filha vai repetir isso.

sábado, 15 de outubro de 2011

Os 10 mandamentos para meninas.... escrito por uma menina de 7 anos.

1. Poder acessar a internet todos os dias
2. Ter muitas amigas
3. Proteger os animais
4. A mae parar de fazer coisas que a filha nao quer!
5. Preservar a Natureza
6. A filha ter privacidade!
7. O pai parar de agarrar
8. Ganhar tudo que quiser na hora que quiser
9. O irmao ou a irma parar!
10. Sempre assistir as bruxas de Eastwick

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Por onde anda a infância? Manual de Instruções para Mães de Meninas

As meninas de hoje se tornam mulheres mais cedo, antes do tempo? Se olharmos atentamente, a resposta é sim. E as razões pra isso? As respostas fomos buscar, novamente, com nossa amiga e colaboradora, a psicóloga Fabiana Saigh - fabianasaigh@bol.com.br
 
JM - Corpos delineados antes do tempo, desejo de usar roupas insinuantes, crianças com valores de adultos. As meninas estão virando mulheres cada vez mais rápido. Como explicar este fenômeno que acelera o fim da infância?
Fabi - Acredito que a exposição das crianças hoje, precocemente, ao mundo adulto colabora em muito para essa aceleração e amadurecimento precoce sim. Devemos nos lembrar de nossa infância em que nossos pais nos colocavam sala à fora para terem suas conversas adultas com seus amigos, familiares e entre si. Lembrar que a Tv se preocupava em transmitir programas mais adultos em períodos da noite em que as crianças dormiam. Hoje o que vemos até mesmo na moda é uma falta de limites entre infância, juventude e idade adulta. Vocês já viram essa nova moda em que pais e filhos se vestem iguais? O que pensam sobre isso? Nosso mundo hoje é um novo mundo em que as barreiras da tradição cairam e, nós, pela falta de parâmetros determinados socialmente devemos usar cada vez mais de nosso julgamento e bom senso para criar as barreiras que protejam, não só nossos filhos da exposição a sexualidade precoce e em muitos casos desvalorizada, mas também da violência explorada como mercadoria de audiência.
 
JM - Quais as preocupações que mães e pais devem ter ainda dentro de casa e como identificar os primeiros comportamentos precoces?
Fabi - A preocupação creio que ainda deve girar em torno de oferecer às crianças uma atmosfera infantil, ou seja, facilitar e permitir que a criança possa usar de sua imaginação, de sua ingenuidade, curiosidade e surpresa. Estamos perdendo a capacidade de nos surpreender. Me lembro de um amigo que me contava do encanto de seu filho em receber um Ovo de Páscoa e que ele como pai e adulto também passou a admirar aquele chocolate não apenas como algo trivial, mas com a especialidade daquele momento compartilhado entre pai e filho, que estavam desbravando o mundo e conhecendo (filho) e reconhecendo (pai) o mundo.
 
JM - A aceleração no comportamento se reflete no aceleramento precoce do corpo (seios crescem mais rápido, puberdade vem antes do tempo)?
Fabi - Atualmente vemos a menarca se dar em torno de 8 anos em muitos casos. Lembremos de Darwin, que em tempos remotos desbravou o mundo e descobriu que a mesma espécie em contextos (clima, vegetação, espaço demográfico) não apenas tinham comportamentos diferentes, mas mais do que isso apresentavam diferenças estruturais, ou seja, o ambiente que nós oferecemos interfere diretamente no organismo físico das crianças. E quando digo nós me refiro a nós seres humanos que temos a capacidade de modificar o ambiente no qual vivemos para suprir nossas necessidades.
 
JM - Antigamente era só uma brincadeira de criança, absolutamente sadia. Pegar o sapato de salto alto e os óculos escuros da mãe e fingir ser modelo, desfilando pela casa. Mas hoje o que vemos é o salto alto invadindo os armários das meninas em tamanhos e modelos feitos para elas. Isso pode ser considerado normal?
Fabi -O que é normal é a identificação da filha com a mãe, ela quer usar o sapato de salto alto e os óculos escuros para ficar parecida com a mãe, existe uma admiração da criança com o mundo e a vida da mãe, agora, ter em seu armário roupas de adulto é um exagero, importante lembrar a criança que tudo tem seu tempo e que um dia ela vai crescer e, ai sim, usar roupas apropriadas para sua idade.
JM - E quando as meninas querem usar a maquiagem? Qual o limite que podemos impor?
Fabi -As meninas podem, sim, usar maquiagem porém nada com exageros. E necessário que os pais tenham bom senso e saibam colocar limites, lembrando que as filhas querem imitar a mãe. Não podemos esperar que a criança tenha bom senso e saiba limites e diferenças de uma maquiagem adulta e uma maquiagem de criança, elas acham bonito e isso é uma questão de vaidade. Um limite seria tb comprar maquiagem própria para criança e separar o que é da mãe e o que é da filha.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Casa de avó também é lugar de educar

Avós podem quebrar algumas regras que valem na casa dos pais, mas não devem desautorizá-los ou driblar proibições explícitas
 
Alessandra Oggioni, especial para o iG São Paulo | 17/06/2011 07:22

Foto: Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Carmem Malzone auxilia na educação dos netos Victor e Renata. Ela e a filha são afinadas quanto às regras de disciplina da casa

Aquele estereótipo da avó velhinha, de cabelos brancos, óculos na ponta do nariz e fazendo crochê deu lugar a uma mulher dinâmica e ativa, que trabalha, pratica exercícios e ainda auxilia os filhos na tarefa de cuidar dos netos. Com maior perspectiva de vida, o perfil das avós realmente mudou, e muitas delas são solicitadas para ficar com os netos enquanto os pais trabalham, tendo uma relação ainda mais estreita com as crianças, interferindo diretamente na educação e no desenvolvimento delas.


Mas como as avós podem alinhar com os filhos a melhor maneira de agir em prol da educação dos netos? A psicoterapeuta Lidia Rosenberg Aratangy diz que é importante que, desde cedo, pais e avós cheguem a um acordo sobre as “leis” que farão parte da rotina das crianças. “Existem regras e leis. As regras podem ser mudadas de uma casa para outra, mas as leis devem ser respeitadas sempre”, afirma Lidia, co-autora do “Livro dos Avós – Na Casa dos Pais é Sempre Domingo?”, escrito com o pediatra Leonardo Posternak (Primavera Editorial).


Sendo assim, a avó pode encontrar o próprio meio de agir quando estiver com o neto em casa, mas desde que as “leis” combinadas previamente sejam cumpridas. Por exemplo: se na casa da avó é permitido dormir um pouco mais tarde que o convencional, não há problema, desde que o neto acorde no horário certo para ir para a escola. Isso se traduz para a criança da seguinte forma: “a hora de dormir é regra, mas não perder a aula é lei”. Desta maneira, a psicoterapeuta explica que o alinhamento entre pais e avós deve existir, mas não precisa ser rigorosamente igual. “O ponto de partida e chegada devem ser os mesmos, mas o caminho pode ser diferente. Isso é importante até mesmo para ensinar a criança a ter flexibilidade na vida e a respeitar as diferenças”, diz Lidia.


O problema geralmente acontece quando não há esse alinhamento. Em anos de consultório, a psicoterapeuta de crianças e adolescentes Ana Olmos (SP) observou que uma das situações mais frequentes é a constante desqualificação dos pais da criança por parte dos avós. “É comum ouvir uma avó dizendo que o neto só consegue parar de chorar no colo dela. Isso inocula na mãe uma sensação de incompetência, de fracasso mesmo”, afirma Ana.


Em outros casos, avós que trabalharam muito no passado e não conseguiram cuidar dos filhos como queriam, hoje, com mais horário livre, intencionam recuperar o tempo perdido assumindo o papel de mãe. Em ambas as situações, a terapeuta aconselha que os pais tenham uma conversa firme e amorosa com os avós para resolver a questão o quanto antes. “É preciso deixar claro que ela é a avó, mas que desqualificar e desautorizar os pais na frente das crianças não pode acontecer de jeito nenhum. É dizer um não mesmo, simples assim, sem medo de magoar”, comenta Ana Olmos.

Pais educam e avós estragam?
 
Para o pediatra Fábio Ancona Lopez, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e autor do livro “Avós e Netos - Uma Forma Especial de Amar – Manual de Convivência” (Editora Manole), o ditado que diz que os pais educam e os avós estragam os netos ficou no passado. No entanto, ele lembra que, apesar da colaboração na educação das crianças, elas ainda são avós – e às vezes cumprem o “papel” de mimar. “Mas mimar não é estragar e, sim, ter mais disponibilidade para agradar e mais tempo para curtir os bons momentos com os netos”, ressalta.


Ancona diz também que a ajuda dos avós vai além da parte educacional. A experiência dos mais velhos é bastante importante para auxiliar e tranquilizar os pais nos primeiros cuidados com o bebê. O problema, segundo ele, é que algumas avós ainda apresentam resistência para acompanhar algumas posturas que hoje são diferentes. “Houve muita mudança na conduta pediátrica, por exemplo. Muitas avós têm dificuldade de aceitar que os bebês devem ter aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida”, explica.


Para minimizar o desconforto, ele afirma que as avós devem se informar sobre os procedimentos mais atuais e até mesmo acompanhar a mãe às consultas do bebê ao pediatra. Assim, ela poderá ouvir do médico as recomendações sobre preparo de alimentos e outros cuidados que hoje são diferentes do jeito que ela fazia antigamente.


Como avô, o pediatra diz, ainda, que cuidar dos netos é uma via de mão dupla. Além de ajudar os pais nos cuidados com as crianças, os pequenos podem contribuir para colocar mais vivacidade na rotina dos idosos. “Ao ficar com os netos, os avós têm de sair da postura de velho, têm de ir ao parque, brincar, aprender a colocar um DVD, assistir a desenhos. Sem dúvida, esta é uma contribuição fantástica para a saúde física e mental destes avós”, diz.
Foto: Guilherme Lara Campos/Fotoarena 
Mãe e filha, ambas chamadas Carmem, são parceiras na educação das crianças

Avó pra toda obra

Aos 62 anos, Carmen Carbone é aquela avó que está presente praticamente 24 horas por dia ao lado dos netos Victor, de 9 anos, e Renata, de 4. É ela quem ajuda na lição, vai às reuniões da escola, busca e leva ao colégio, dá bronca quando a criançada apronta, leva ao pediatra e controla a alimentação dos pequenos. “É meu braço direito”, diz a filha Carmen Malzone Carbone, de 38 anos.


Separada e com uma rotina de trabalho bastante intensa, a fonoaudióloga Carmen conta com a mãe para ajudá-la nos cuidados e na educação dos filhos desde que eles eram bebês, já que, como profissional autônoma, não teve direito à licença-maternidade e precisou retornar ao trabalho 40 dias após o parto.


Muito amigas – e até com o mesmo nome –, dona Carmen e a filha estão superafinadas quanto às regras de disciplina. Durante a semana, a avó até assume um pouco o papel de mãe, sendo rígida quando precisa. “Como avó, curto muito ficar com meus netos. E como ‘meia-mãe’, curto ajudar a educar, principalmente por ser muito rigorosa com modos e educação. Tento mostrar que aquilo que parece ser uma pegação no pé é, na realidade, um preparo para a vida adulta e profissional”, diz dona Carmen.


Os momentos de dona Carmen ser exclusivamente avó acontecem somente aos finais de semana, quando ela adora ir para a cozinha preparar guloseimas para agradar os netos. “Às vezes acho que minha mãe sai perdendo, pois não é aquela avó que mima, a avó só do passeio. Sem contar que ela cozinha muito bem, e as crianças preferem a comida dela do que a minha”, conta Carmen Malzone.


Linha dura
 
Com a vovó Lúcia Rizzo Ruivo, a pequena Luisa, de 6 anos, sabe que não tem moleza. Sob os cuidados dela desde os quatro meses, quando a mãe, a fonoaudióloga Juliana Ruivo, precisou retomar a rotina de trabalho, sabe respeitar direitinho as regras da casa da avó. “Minha mãe acaba sendo uma extensão minha: é rígida quando necessário e boazinha quando a Luisa merece”, conta Juliana.


Apesar da grande ajuda da avó, Juliana acredita que a responsabilidade pela educação dos filhos é mesmo dos pais, mas que os avós podem contribuir positivamente quando estão alinhados na maneira de agir com as crianças. “Só acho ruim quando os avós permitem algo que os pais já proibiram. Uma vez, tive dificuldade com minha sogra, quando fui tirar a mamadeira da Luisa, pois ela dava escondido na casa dela. Sentamos, conversamos e tudo se resolveu”, afirma Juliana.

 
Superprotetora
 
Enquanto trabalha, a auxiliar administrativa Aline Lúcia Bento, de 24 anos, deixa o pequeno Bernardo Henrique Silva, de 3 anos, sob os cuidados da mãe, a dona de casa Vilma Bento, que é louca pelo neto.
 

Por morarem todos na mesma casa, Aline diz que a mãe acaba interferindo mais do que deveria na educação do filho. Ela conta que o menino costuma fazer muita birra e, quando quer impor disciplina ao garoto, sua mãe sempre é contra e prefere atender aos desejos de Bernardo. “Ela sempre acaba fazendo a vontade dele. Se dou uma bronca e o deixo de castigo, no cantinho da disciplina, ela sempre fica do lado dele”, reclama Aline.


Dona Vilma, no entanto, não se considera uma avó superprotetora e diz que age em prol do neto. “Posso contribuir com a minha experiência, pois tenho três filhas e já passei por diversas situações”, conta Vilma.


Para tentar resolver o conflito, Aline diz que já conversou bastante com a mãe e pediu que dona Vilma parasse de interferir quando ela estiver corrigindo Bernardo. “Sinto como se ela tirasse a minha autoridade. Mas acho que, com a conversa, ela entendeu”. No entanto, apesar dos desacordos em relação à educação do filho, Aline também reconhece que ele é muito bem cuidado e que a convivência com a avó tem muitos pontos positivos. “Ela passa muita coisa boa, como carinho e amor pelo próximo”, diz.


Dicas para as avós:
- Procure se informar sobre as mudanças da nova geração. Nem sempre o que “deu certo” naquela época é o mais indicado agora.
- Procure participar da vida do neto, mas só opine se a filha ou filho pedir o seu conselho.
- Jamais desautorize o seu filho ou filha na frente do neto.
- Cuidado também com a alimentação das crianças. Lembre-se que entupir a criança de comida não vai fazê-la mais saudável.
- Cuidado ao oferecer doces e guloseimas para agradar os netos. Procure oferecer alimentos saudáveis e incentivar a prática de exercícios.


Dicas para as mães:
- Procure envolver a avó desde cedo com a rotina do bebê e, se possível, leve-a ao pediatra para ouvir as indicações médicas.
- Peça conselhos e utilize a experiência dela a favor do bem-estar do seu filho.
- Antes de deixar o filho com a avó, conversem sobre a linha de educação, disciplina, alimentação e cuidados que gostariam de adotar.
- Avó não é babá de luxo. Não a trate impondo uma lista de regras e deveres a cumprir.
- Na casa da avó, as regras dela são as que valem e devem ser seguidas.
- Lembre-se que o modo como se trata os pais serve também de modelo para o seu filho.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Como falar com os filhos sobre diferenças

Natália: Mãe, você gosta de menino, né?
Geisa: Sim, filha, eu gosto de menino.
Natália: Eu também, mãe, me interesso muito por meninos. Mas ontem eu vi dois meninos se beijando.
Geisa: Filha, meninos também podem gostar de meninos, assim como meninas também podem gostar de meninas. A gente tem de respeitar as escolhas de cada um, ok.
Natália: Combinado, mãe. Se eu mudar de gosto, eu te aviso, tá?
Geisa: Combinado, filha!
Este post fala sobre como falar com os filhos sobre diferenças. Mesmo em um mundo onde cada vez mais pessoas lutam pelo direito de viver relacionamentos afetivos com pessoas do mesmo sexo e constituir família, o tema ainda é sensível dentro e fora de casa.
No meu caso, o assunto foi posto à mesa pela minha filha Natália, 7 anos, e mais uma vez, não pude me furtar a dialogar. Além do rápida conversa entre mãe e filha acima, a caminho da escola, utilizei na conversa alguns trechos dos ensinamentos do livro Meu Amigo Jim. Escrito com sensibilidade pela artista plástica belga Kitty Crowteher, ele trata do relacionamento entre dois pássaros.
Na história, Jim é uma gaivota e vive à beira-mar. Jack é um melro que mora na floresta. A primeira ave é branca, a segunda é negra. Quer mote perfeito para discutir as diferenças e os preconceitos em relação à procedência, aos sotaques e à cor da pele? A amizade entre os dois pássaros incomoda outros animais, principalmente quando eles decidem viver juntos. Para conquistar o próprio espaço e o respeito das outras aves, Jim e Jack precisaram de sensibilidade, paciência, generosidade e principalmente respeito à opinião alheia.
Meu Amigo Jim é um caminho sensível para abordar ou familiarizar as crianças sobre a importância de aprenderem, desde cedo, a lidar com as diferenças de forma tranqüila e respeitosa. 
Recomendo a todos!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ser mãe é descer do paraíso, por Lúcia Rosenberg

É só ao se debruçar na complexidade da vida que se ganha a intimidade
Segundo domingo de Maio, dia de falar de mãe. A minha ensinou que só se conhece o verdadeiro amor, assim essencial e radical, quando se tem um filho. Sei não se é verdade. Isso, só quem não tem filho sabe. Conheço diferentes formas de amor, já vi muitas faces de Cupido, mas sinto que o amor de mãe é um clássico. É maiúsculo e definitivo. Voltando à minha mãe: para ela, amor ensina e nutre. Dessa perspectiva, compreendo melhor sua crença no amor-de-mãe, porque nada ensina mais que filho. Talvez porque em nada mais a gente preste tanta atenção...
Grandes aprendizados como compreensão, paciência, concessão e empatia vem junto com filho. No varejo, no dia a dia, todos os dias, até não sei quando – para sempre? Até hoje, não vivi nada que fosse para sempre – só filho. Definitivo e eterno. Se tivermos olhos, escuta e espaço interno pra aprender, filho ensina o que precisamos saber para estar perto deles e orientá-los, em cada fase da vida. Cada um expressa suas necessidades e limites, medos e metas. Reconhecer isso é tarefa de mãe desde que nos chegam bebezinhos e sem manual de instruções, e nos cabe distinguir choros, gemidos, entorses e caretas pra conseguir suprir a demanda da vez, sem confundir fome com arroto encruado.
A mesma sabedoria necessária depois, para saber a hora de calar e a de dizer, de mandar e ser levada em conta, de soltar ou proteger, conseguir guardar suas opiniões para quando forem requisitadas pelos seus filhos adultos ou deixar sua garotinha pelejar com o laço do sapato até que ela peça ajuda - é preciso muita perspicácia e elegância. Não é fácil, nada fácil – requer atenção e constantes atualizações, porque o tempo não pára e as relações precisam acompanhar a maturidade das crias – ou ficam cristalizadas, impessoais e ridículas! E o pior: nada íntimas.
Ser mãe é descer do paraíso. Porque lá no paraíso tudo é fantasia e, na fantasia, tudo pode ser melhor que no real. Podemos criar um mundo muito melhor que este, inventar uma vida ideal, filhos perfeitos, amores quentes, ternos e eternos. A fantasia é sempre mais bonita do que a realidade e ali não existem limites. Mas numa coisa a realidade ganha: na complexidade. Por isso, nada de ficar no paraíso, melhor cair na real. Tem que se debruçar na complexidade da vida e de cada um dos seus amores e crias para poder ser íntimo, ser porto e porta para tantas comportas que a vida abre para poder fluir.
E, já que pisamos a dura realidade, vamos encarar que essa coisa de amor incondicional é, no mínimo, muito perigosa. Primeiro porque pode indicar ao amado que ele pode fazer tudo que bem entender que nada muda. Nada muda? Nada? Só se coração de mãe fosse de pedra. É só para essas que nada muda, que não importa que sejam seus filhos, ela não os vê, não os conhece, portanto, nem reconhece. Aprendi uma verdade: que o descaso mata o amor. Até o de mãe. E nem acho saudável filho nenhum acreditar na incondicionalidade do amor-de-mãe. Amor é coisa viva, pode morrer e requer cuidados. Considero esta uma lição melhor para ensinar aos filhos: respeito, zelo e atenção.
Pra celebrar a maternagem deixo um conselho de mãe revisto e ampliado – porque serve a todos. O maior amor é o de mãe, afirmava a minha. É verdade, a maternidade tem olhos no coração. Nem precisa ser mãe, é só adotar o ponto de vista de quem quer ser transformado pelo amor e crescer com ele. Esse desejo deixa a gente mais permeável para as relações. Talvez se usarmos essa capacidade de enxergar o mundo com o coração, tudo fique melhor, sem perder a complexidade.
Gracias, Doña Porota, madre mia.